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THE CURLY MAGAZINE

Olá a todos o meu nome é Rosa, sou portuguesa natural de Angola, tenho 28 anos, nascida com cabelo "afro" natural, e venho falar-vos de...cabelo, naturalmente. Especialmente do crespo/encaracolado.. Este artigo é de, e para, a mulher portuguesa de cabelo encaracolado, também para a mulher portuguesa de origens africanas, brasileiras, outras origens, ou para a mulher "estrangeira" que vive em Portugal, ou não, mas que fale Português ou viva num país Lusófono.. E já agora, também para o homem nas mesmas condições :)

O Cabelo.. essa matéria fascinante que move montanhas.. Objecto de vaidade, de beleza, feminilidade, Moda, de identidade, de afirmação pessoal. A função biológica do Cabelo/Pêlo é proteger-nos do frio, ou de qualquer outra manifestação climática que possa interferir directamente com o nosso tão sensível couro cabeludo.

Matéria por natureza rebelde, que por questões sociais, culturais, de estética passamos o tempo a tentar domesticar, consoante a evolução das modas. O cabelo é essencialmente matéria morta, ou matéria não-viva, a única parte viva do cabelo é a raiz, aquela que efectivamente nasce, cresce, de alguma forma se reproduz, e morre. Daí também a dificuldade em fazer com que ele reaja aos nossos anseios estéticos.

O cabelo português/latino/ibérico é património genético de vários povos com que nos fomos cruzando: desde o Romano, ao Germânico, passando pelos Mouros, aos mais óbvios que se mantêm até hoje, por influência do nosso legado colonial: Brasileiros, Africanos, Indianos, portanto, uma mistura de tipos de cabelo da América, Europa, Ásia e África, praticamente todos os Continentes do Mundo.

Assim sendo não é de estranhar que haja tanto tipo de cabelo diferente em Portugal: mais liso, mais forte, mais fino, mais crespo, e consequentemente, que exista tanto cabelo encaracolado/crespo.

O cabelo encaracolado tem mil definições, quase tantas quantos os tipos diferentes de cabelo encaracolado que há: "crespo", "cacheado" (muito usado no Português do Brasil, ou Brasileiro se preferirem :) ), "afro" ou ainda "carapinha" (dois tipos ligeiramente diferentes), termos muito usados entre a "comunidade" africana; "frisado"... e depois todo o género de nomes mais ou menos pejurativos para definir este cabelo naturalmente rebelde: "cabeleira", "juba", "palha-d'aço", só para nomear alguns...

O cabelo em que me vou focar aqui, o encaracolado de uma forma geral, tem uma forte descendência africana e brasileira. Textura amada e odiada consoante os tempos e a evolução na qualidade dos produtos para o seu tratamento, foi sendo preterida pela textura do cabelo liso e volumoso, que é o sonho de consumo social, padrão de elegância, usado na Publicidade, na televisão, no cinema, etc. etc., e toda essa pressão social para se exibir um cabelo liso e sedoso tem levado as mulheres, principalmente _ as que nasceram com um cabelo encaracolado _ a perder a cabeça (quase literalmente), o dinheiro, o tempo e o sossego em constantes idas ao cabeleireiro, alterações químicas ao cabelo, perseguições a tudo o que sejam novidades e mais e melhores métodos de manter os seus cabelos soltos, longos, moldáveis e controlados, com movimento, muitas vezes à custa da perda de alguma (ou muita) da saúde e natureza do cabelo, matéria por natureza tão frágil.

O cabelo encaracolado se é nomeado a nível social, é sempre como algo rebelde, e a sua imagem aproveitada para campanhas de looks rebeldes, naturistas ou hippies, ficando assim sempre com uma associação algo negativa de visual pouco elegante.

Dentro dos vários estilos de cabelo encaracolado, como dizia atrás, temos uns mais maleáveis e outros menos. Uns mais simples, outros mais complicados. Temos os cabelos com caracóis mais soltos e naturais, que têm comprimento e movimento, temos caracóis mais cerrados que crescem ao redor da cabeça, temos a carapinha africana que são uns caracóis muito miudinhos junto ao couro cabeludo, temos cabelos que fazem os "cachos" ou "canudos" que se enrolam sobre si próprios e que também têm movimento, temos caracóis pior definidos em cabelos mais volumosos e frisados, e temos as afros, que também as há de muitos estilos (naturais, claro). A afro é um tipo de cabelo encaracolado tipicamente de origem africana (África Austral) de um caracol muito cerrado, quase sempre sem definição, e muito frisado e volumoso, embora também hajam afros um pouco mais soltas e definidas. O aspecto final da afro também depende muito dos cuidados que se tem com ela. Qualquer cabelo tipicamente encaracolado/crespo, se fôr desembaraçado a seco, com pente ou escova, e sem produtos de cuidado (ou mesmo com), irá formar uma juba ao redor da cabeça, e parecer-se-á com uma afro, mesmo sem ser. Este estilo porém é propositadamente usado por muita gente que dele gosta.

As mulheres portuguesas, e as portuguesas de origens africanas ou brasileiras (e as próprias), principalmente, fazem de um tudo para alterar os seus cabelos crespos naturais: extensões, as tão comuns e mais acessíveis desfrisagens (ou "relaxamentos", dos quais também participo), permanentes, entrançados, etc. Aliás a mulher brasileira tem uma forte descendência africana uma vez que africanos foram levados para as Américas pelos Portugueses no tempo do Colonialismo, daí o legado do cabelo crespo tipicamente africano entre os brasileiros.

O problema em tudo isto, a concordamos que exista um, é que nós mulheres de cabelo encaracolado, na nossa tentativa desesperada de alterar permanentemente esta textura, acabamos escravas de produtos, de idas frequentes ao cabeleireiro, de tempo, de paciência, é todo um investimento sem fim. Cada tipo de tratamento obriga a uma série de manutenções. A realidade é que raramente é incentivado nas mulheres encaracoladas o aproveitamento da beleza natural dos seus caracóis, ou explicada a melhor forma de o atingir. Não nos chegou no passado muita informação, porque não havia, talvez porque socialmente os caracóis não são considerados (tão) elegantes quanto os cabelos lisos, ou porque implicam maior cuidado, e as mulheres encaracoladas simplesmente crescem a não saber o que fazer com os seus caracóis e como tal a detestá-los, porque as amigas de infância tinham cabelos lindos e lisos que não davam trabalho nenhum enquanto os seus estavam sempre indomáveis e com mau aspecto, pelo que não valia muito a pena estudar o cabelo crespo mas antes alterá-lo. A informação que nos chega agora, muitas vezes é por nós voluntariamente ignorada, porque já estamos demasiado aculturadas à ideia de cabelo liso como o ideal. Por outro lado hoje em dia já há tanta informação, que acabamos baralhadas sem saber o que é melhor ou pior para os nossos "pobres" caracóis...

No meu tempo de miúda havia dois tipos de penteados para cabelo tipicamente africano populares: entrançado de extensões de cabelo, feitas no cabeleireiro, e desfrisagem. E terminava aí.

Falando da minha experiência pessoal e daquilo que sei e faço ou já fiz (e acreditem que já fiz muita coisa) darei alguns exemplos: comecei a desfrisar o cabelo ainda adolescente, através de conselho de uma vizinha africana que era cabeleireira, entretanto cheguei a experimentar o "curly", que é uma técnica de permanente para definir caracóis com alteração química do fio, o qual fiz, lá está, um pouco por desconhecimento e falta de informação, pois o que eu pretendia era obter uns caracóis definidos e com movimento e acabei com uma espécie de "carapinha" na cabeça; passei ainda por quase nove anos de dreadlocks (tranças rasta), uma vez que estava já cansada das desfrisagens e de tudo o que isso implica (manutenção, cuidados adicionais com os danos que isso provoca ao cabelo) por um lado, e por outro porque deixei de ter possibilidades financeiras a dada altura para as manter.

Após nove anos de dreadlocks, e a limitação em encontrar empregos em áreas mais alargadas (infelizmente a sociedade ainda é muito preconceituosa e associa o visual a uma série de coisas negativas que não têm de fazer necessariamente parte do nosso estilo de vida e/ou interferir negativamente com a sociedade), decidi regressar às desfrisagens, até porque de qualquer das formas _ e por muito que QUALQUER [tipo de] pessoa admirasse as minhas dreadlocks por as achar bonitas e bem cuidadas _ o certo é que quando as tirei caiu muito cabelo e estava muito danificado, afinal aquele cabelo está morto e nunca consegue receber grandes tratamentos. Mas o meu regresso ao mundo das desfrisagens, e ao compromisso com as mesmas, os gastos monetários nelas implicados, foi retomado com a consciência de que já que iria voltar a fazer mal ao meu cabelo para todos os efeitos (os químicos usados para desfrisar/relaxar o cabelo são muitos fortes e agressivos, e mesmo com a sua evolução, não deixam de partir o cabelo e desnutri-lo), ao menos iria minimizar todo esse mal...

Assim sendo, farei aqui uma breve explicação do processo de Desfrisagem/Relaxamento químico do fio, já que é das técnicas mais utilizadas para domesticar os cabelos crespos/encaracolados:

_ Apesar dos tempos e de toda a informação, como dizia ainda há muito desconhecimento de todo o processo da desfrisagem, bem como das possibilidades práticas de como estilizar o cabelo diariamente após uma desfrisagem. Principalmente entre as pessoas de cabelos lisos, mas mesmo entre as pessoas que desfrisam os seus cabelos.

Muita gente julga que a desfrisagem é um processo permanente de alisamento do fio, e bem, é e não é, passo a explicar: efectivamente, o fio é, literalmente, relaxado, ou seja, aquele fio rebelde muito enrolado fica suavizado permanentemente, o processo só reverte com o crescimento natural da raiz do cabelo (daí a necessidade de renovação da desfrisagem pelo menos nessa área) sendo que no restante cabelo se mantém. Agora isso não significa que o cabelo após lavagem, ou apanhar chuva, humidades, ou mesmo suor, seque ao natural esticadocomo se costuma dizer... Já imaginaram a frustração de sair bela do salão com um cabelo fluido e apanhar uma carga-d'água e lá se vai tudo à vida...? Sempre nos habituámos a ver as senhoras saírem dos salões, após as suas desfrisagens, com cabelos maravilhosos lisos e cheios de movimento, e como não sabemos o que se passou lá dentro, ou mesmo sabendo, achamos que esse resultado é permanente, mas não, o cabelo desfrisado fica efectivamente com o fio mais relaxado, mas após água e o já referido, volta a frisar um pouco, daí as comuns mises/brushings/escovas que tanto se fazem (basicamente, consiste em esticar-se para baixo o cabelo mecha a mecha com ajuda de escova de enrolar e um secador de cabelo com ar muito quente), processo moroso, cansativo, doloroso, nada prático na minha opinião, e principalmente, muito agressivo para o cabelo, pois se tivermos em conta que o cabelo crespo/encaracolado é um cabelo naturalmente já muito seco e frágil, e ainda foi agredido com desfrisante, só vamos constantemente agredi-lo ainda mais com ar quente directo e escova a passar. Já dá para imaginar que o cabelo nunca vai ter um aspecto realmente nutrido e saudável, irá partir, ficar ainda mais fino e quebradiço do que aquilo que ele naturalmente já é. Um dos sinais mais imediatos são as tão comuns pontas espigadas...

Muita gente que desfrisa o cabelo acaba por usar rabo-de-cavalo a maior parte do tempo (o que também não é bom para o cabelo) e só quando tem uma ocasião especial é que vai ao cabeleireiro para o esticar. Em casa é difícil porque o resultado nunca é igual, não temos a mesma técnica que as cabeleireiras têm, e é complicado trabalhar-se no próprio cabelo, além de extremamente cansativo e aborrecido, tomando ainda muito tempo (falo por experiência própria).

O resultado efectivo da desfrisagem do cabelo é o relaxamento dos fios crespos, mas não o alisamento permanente, porque pensemos, se esse processo alisasse permanentemente o cabelo, por que é que o fio volta a frisar de cada vez que o lavamos, molhamos, etc., tendo nós de o esticar? Para esse resultado existe sim outro processo, muito mais dispendioso, chamado "alisamento permanente" ou "japonês" (que como o nome indica, é um processo originário do Japão). Não vou entrar em grandes pormenores sobre esta técnica, mas tem e deve ser feita num cabeleireiro com formação nesse tipo de tratamento, é morosa, e nem sequer é aconselhável fazer em cabeças muito encaracoladas (perguntei à minha cabeleireira por curiosidade), uma vez que mal a raiz comece a crescer a diferença é notória e fica mal, e ninguém tem 300 euros para voltar a repetir a dose passados apenas três meses (este é o valor mínimo, mas varia muito). O resultado final deste alisamento é um cabelo que após ser lavado, molhado etc. seca ao natural liso e escorrido, sem necessidade de se recorrer a mises. Bom para gente endinheirada, como celebridades, e com tempo e paciência para se dedicar a isto, e gente com cabelos mais ou menos lisos/ondulados que sejam muito volumosos ou que frisem, e que desejem ter um aspecto final constante de cabelo liso, sedoso e escorrido, o liso perfeito. Amigas minhas pensavam que a desfrisagem dava este efeito, mas infelizmente não...

Então porquê a obsessão da mulher encaracolada em usar o cabelo com estilo sempre liso e sedoso, se não é prático? A sociedade e séculos de lavagem cerebral com relação ao aspecto rebelde do cabelo crespo levam a que as mulheres persigam esse ideal de cabelo liso sedoso com movimento, e já que a desfrisagem oferece realmente essa possibilidade, ainda que não da forma mais prática, muitas mulheres pensam "e por que não aproveitá-la?" É curiosa a dedicação e sofrimento aos quais as mulheres se submetem para exibirem algo que não é naturalmente seu... Pessoalmente, decidi que se havia outras possibilidades para o meu cabelo, sem ser ficar dependente de estar sempre a esticá-lo para parecer liso, então se calhar valeria a pena explorar, até porque os benefícios são muito maiores que aquilo que se perde: ganha-se tempo, descontracção, e saúde do cabelo. E agora vocês perguntam-se... então mas por que desfrisa ela o cabelo se depois é contra a sua manutenção?

É claro que neste discurso todo está subentendido que eu concordo que a mulher naturalmente encaracolada POSSA e deva, se assim o entender, usar o seu cabelo como ele é naturalmente, e aparentar estar bela da mesma forma, saudável, cuidada, sem ter de recorrer a grandes processos químicos e que criam dependências de todo o tipo. Mas quanto a isso devo confessar que, e aparte quaisquer preconceitos da sociedade com relação aos cabelos crespos, pessoalmente é uma opção, ou seja, gosto efectivamente de ver afros em muitas mulheres, mas pessoalmente idealizo o cabelo como algo que deve ter algum comprimento, algum movimento, passar esse tipo de feminilidade, talvez porque toda a infância admirei os cabelos lisos (como tantas encaracoladas), e me sentia miserável porque eu nunca podia ter o cabelo comprido e solto como as outras crianças/raparigas tinham, e fui crescendo com esta convicção e desejo de algum dia poder exibir um cabelos assim, também porque, e como já disse atrás, caracóis há de muitos tipos, recordo-me perfeitamente de ver raparigas de pele muito mais escura do que a minha (eu sou mulata muito clara), com cachos lindos soltos e compridos, enquanto o meu cabelo natural não define quaisquer caracóis nem cresce com movimento, e para mim só desfrisando consigo alcançar esse tipo de caracóis no cabelo... Claro que quando era mais nova, nem queria saber de caracóis para nada, como é normal entre as encaracoladas, o ideal era o liso, mas agora como mulher adulta que já passou por muitas experiências e foi crescendo mentalmente, a minha atitude mudou bastante, ou seja, acima de tudo, o cabelo só é bonito e parecerá bonito, quanto mais saudável e no seu estado natural estiver. É inútil querer fazer dele uma coisa que ele não é, e achar que não se vai perder rigorosamente nada com isso.

Se eu poderia usar a minha afro? Como já disse, poderia claro, mas pessoalmente, não é uma opção, e hoje em dia, posso dizer-vos que se me derem a escolher entre um cabelo liso e fino sem graça ou uns caracóis com personalidade, eu escolho a segunda, porque já vi muitas cabeças, e sim amigas, é possível exibirmos caracóis lindos, soltos e com movimento, para aquelas de nós que disso não queiram abdicar.Agora, se puder optar entre danificá-lo ao máximo, com desfrisagens e mais mises e os produtos errados e poucos ou nenhuns cuidados, para o transformar completamente em algo que ele não é, ou antes puder desfrisar, mas depois cuidá-lo e usá-lo encaracolado, eu não terei dúvidas em optar pela segunda, mais uma vez, e foi essa a opção que fiz quando decidi que ia voltar a desfrisar o cabelo.

É então possível, repito, usar-se o cabelo num estilo encaracolado, após ter sido desfrisado, ou seja, mais próximo do seu estado natural, já que, e como já descrevi, a desfrisagem não alisa completamente o fio crespo, apenas o relaxa, daí que após a lavagem ele enrole um pouco. Pois o que eu digo é que vamos aproveitar esse enrolamento natural, para usar umas ondas ou caracóis bonitos. É uma informação que não é muito incutida ou incentivada, infelizmente, pois a mulher de cabelo crespo que desfrisa, não quer mais nada com caracóis na cabeça, por norma, o que é uma pena, e normalmente é por isso mesmo que desfrisam, para depois poderem estilizar o cabelo de forma lisa, mas como já expliquei, esticar o cabelo traz uma série de malefícios, e se pudermos continuar belas com alternativas melhores a todos os níveis, por que não tentar e dar o benefício da dúvida?

Importa para este efeito talvez dar uma breve explicação biológica da estrutura do cabelo encaracolado/crespo/enrolado:

_ O cabelo crespo é um cabelo por norma naturalmente muito seco e frágil como já referi atrás. Engana parecendo forte uma vez que ganha muito volume e frisado facilmente. É por esse motivo que ele forma caracóis, ao invés de ficar liso. Num cabelo liso e cuidado, o fio tem estrutura forte o suficiente para se aguentar independente do fio do lado, pelo que consegue crescer recto. No crespo, os fios precisam do apoio uns dos outros para se manterem firmes na cabeça. Se repararmos, o caracol é um conjunto de vários fios de cabelo numa pequena mecha, criando uma espécie de espiral. Como a sua estrutura é pouco nutrida, ele precisa desse apoio para que a hidratação natural presente no couro cabeludo possa chegar às extremidades dos fios de cabelo.

Dito isto, é fácil de adivinhar o que é que o nosso cabelo mais necessita certo? Hidratação. Muita hidratação e força. A palavra "H" é a palavra-passe para o nosso cabelo por isso decorem-na bem. Qualquer agressão química ao cabelo, um simples pente no cabelo a seco, vento, calor, até o amassar na almofada ao dormir, ou muitos toques com as mãos, esfregar a toalha, dão cabo da estrutura do caracol fazendo com que este se expanda, e o resultado: frisado e volume, perda de definição do caracol.

Outro agressor básico do qual pouca gente se lembra é o... Champô. Embora a informação exista, ela é camuflada pela indústria da cosmética e da química que não tem qualquer interesse em deixar de fazer os milhões que faz na venda dos seus produtos. Todo o processo de cuidado com o cabelo crespo é muito importante para o seu resultado final, e esse processo começa logo na lavagem, passo que muita gente ignora. Se pensarmos, parece um pouco estranho que o champô não cuide o cabelo e ainda seja necessário mais o condicionador/creme amaciador, e depois ainda máscaras, e ainda leave-in's.. Embora no nosso cabelo em concreto nenhum destes passos possa ser ignorado, já que o nosso cabelo é especial e "um caso aparte", o que a Indústria da Cosmética não nos quer dizer é que o champô, para poder remover toda a sujidade e impurezas do cabelo, não passa de um detergente com aromas agradáveis. E um detergente, resseca e danifica muito o cabelo e couro cabeludo. Donde julgam que vem a caspa? A caspa é a descamação do couro cabeludo, resultante de ressequimento do mesmo, consequência do uso de champôs abrasivos. Além de que os champôs deixam resíduos no cabelo dos ingredientes neles contidos, e esses ingredientes vão lá ficando e criando irritação do couro cabeludo... Ora se isto já soa mal quanto baste em qualquer cabeça, que fará na nossa encaracolada tão frágil. Não admira que tantas mulheres detestem caracóis, se o cabelo nunca está saudável o suficiente para os exibir bonitos.

Perguntam vocês agora se vamos então deixar de lavar correctamente a cabeça. Claro que não. Felizmente o Mercado está cheio de soluções muito menos agressivas para lavarmos as nossas cabeças e as hidratarmos ao mesmo tempo, ainda por cima. Estão concerteza familiarizad@s com o conceito: "champô suave". Cada vez mais até mesmo as empresas que sempre fizeram champôs mais abrasivos começam agora a desenvolver champôs cada vez mais amigos do cabelo e da derme e do Ambiente. Os produtos de cosmética naturais têm má fama porque nos foi incutido que não actuariam tão bem, não dariam bons resultados ou poderiam até mesmo fazer mal. A Indústria de Cosmética Biológica ou Natural é cada vez mais respeitada, mais procurada, e cada vez tem mais e melhores produtos, que provocam danos insignificantes ao nosso cabelo e pele (o couro cabeludo é pele/epiderme). Apostam naquilo que está mais próximo da natureza dos nossos cabelos, dando-lhes o aspecto belo e saudável que tanto ambicionamos.

Vou então descrever-vos a minha rotina de cuidado do meu cabelo desfrisado. Como já devo ter dado a entender, não estico NUNCA o meu cabelo. Desfriso mais ou menos de três em três meses, com uma cabeleireira de confiança que usa um bom desfrisante menos agressivo e que já conhece bem o meu cabelo, e entre uma coisa e outra, lavo-o sempre que necessário, de 3 em 3 dias, menos se fôr no Verão ou se suar mais (exercício físico, etc.). No banho lavo-o com o champô para bebé da "Corine de Farme", que é muito suave, tem 95% de ingredientes naturais, não tem sulfatos, não tem aromas sintéticos artificiais (estes podem causar alergias em pessoas com couros cabeludos mais sensíveis), e ainda é enriquecido com óleo de amêndoas doces, ou seja, nutre. Não é muito caro tendo em conta a quantidade e está acessível em qualquer supermercado junto aos artigos da higiene do bebé. Este tipo de champô para bebés também não é popular entre os adultos por pura ignorância ou ideias feitas: não vai lavar bem, não vai fazer o que deve porque é para bebés... Amigas e amigos, ele lava perfeitamente o [meu] cabelo como qualquer outro champô para adultos e no caso não vai deixar vestígios. E é para bebés porque é suave! E lá porque crescemos já não precisamos de usar produtos suaves, já podemos sair a agredir os cabelos a torto e a direito? A ideia é a de que o bebé precisa de maiores cuidados, e já nós podemos aguentar algumas agressões, mas essa ideia é errada. A ilusão é criada pela Publicidade enganosa dos champôs normais em que vemos cabelos lindos e eles dizem: é graças a isto e àquilo que o XX tem... Eles só lá acrescentam mil novos ingredientes para minimizar os efeitos negativos de serem basicamente champôs agressivos. Os novos "liso e sedoso", "hidra-liss", "hidra-caracóis", "caracóis perfeitos", "re-nutrição" e afins, tanta campanha junta com as imagens das senhoras com os cabelos perfeitos, só nos cria a ilusão de que temos de usar aquele champô para ficarmos iguais. O que eles não dizem é que aquele resultado passou pelo cabeleireiro, e que tudo o que o nosso cabelo crespo necessita não é de mil adições a minimizar os estragos, mas tão pura e simplesmente de produtos suaves, com agentes reais naturais hidratantes. Informem-se, leiam a lista dos ingredientes, vejam se refere extractos naturais de plantas normalmente escritos em Latim. As marcas boas e de ingredientes naturais não fazem tanta publicidade porque simplesmente não têm meios financeiros para isso, e quando as fazem não são tão apelativas porque não há nada de espectacular a passar para convencer ninguém, é tudo muito mais simples. Comparem a publicidade da Corine de Farme com a de qualquer outra marca de produtos industriais cosméticos para o cabelo e vejam a diferença...

Portanto, quando procurarem um champô, antes de comprarem os normais comerciais que dizem ser direccionados aos cuidados com cabelos encaracolados, leiam bem tudo, procurem os ingredientes, saber o que têm ou não têm, e lembrem-se que é preferível trazerem um que diga que é para "cabelos secos ou ressequidos ou estragados", porque é disso que o cabelo crespo precisa já que é seco, com ingredientes reais hidratantes, do que um para cabelos encaracolados sem ingredientes nenhuns de jeito. Também é preferível que digam que "não contém" isto e aquilo quimicamente mais agressivo.

O ideal será lavar com água morna ou tépida, porque a água quente também desidrata o cabelo, mas neste nosso Inverno rigoroso que temos tido é difícil :). Seguidamente, aplico o creme amaciador/condicionador. Um bom, também com agentes naturais hidratantes. Deve-se deixar actuar algum tempo, pelo que o meu truque é deixar actuar enquanto me ensaboo. É nesta fase que se deve desembaraçar o cabelo, com um pente de dentes largos, das pontas à raiz, e assim não só se distribui melhor o creme pelo cabelo todo, como também se ganha tempo para actuar. E não se mexe mais com pentes no cabelo. Podem ainda fazer semanalmente uma máscara de cabelo para dar uma hidratação mais profunda. No final enxaguo bem, e não esfrego a toalha na cabeça, apenas torço um pouco o cabelo para tirar o excesso de água, e amarro a toalha directamente, sem esfregar, e deixo lá um tempo, para absorver o excesso de água (se repararem, é o que fazem no cabeleireiro, pelo menos no meu). Finalmente, tiro a toalha da cabeça, e começo por pôr duas a três gotas de óleo para pontas espigadas na ponta dos dedos, e espalho pelas pontas do cabelo todo. Depois, uso um ou dois produtos diferentes combinados, consoante o que estiver a utilizar na altura (também vou testando ainda hoje porque é um mundo novo para mim já que passei anos a esticar cabelo ou a não fazer nada). Uso um leave-in creme amaciador (que no fundo é inglês para "deixar estar" ou seja, um creme para pentear que não se tira com água, atenção ao termo pentear que vem em muitas embalagens de leave-in's, não significa que a seguir se possa efectivamente pentear com pente ou escova, significa que é para criar um penteado, um estilo, mesmo que lá mande pentear, eu não aconselho), rico em ingredientes nutritivos, procurem um bom, combinado com um definidor de caracóis. Não aconselho espumas, musses ou géis, pois contêm álcoois para fazer com que o cabelo seque mais depressa, como já vem explicado num artigo neste site, e depois ressecam muito o cabelo e este fica com aspecto "palha"(falo por experiência própria) e não é isso que queremos, queremos caracóis hidratados, definidos e soltos.

Um bom leave-in nutritivo e eventualmente outro creme definidor de caracóis será o bastante. Espalho bem na palma das mãos, se usar os dois espalho em conjunto misturando, a quantidade necessária consoante o volume de cabelo encaracolado de cada um e comprimento, e depois reparto bem ao longo do cabelo, com a cabeça normal e não para baixo (de cabeça para baixo só faz criar mais volume), passando os dedos entre o cabelo todo.

Se sentirem mesmo necessidade de secar o cabelo com o secador porque vão para a rua e está frio ou qualquer coisa do género, então tentem fazê-lo na temperatura mais baixa, ou mesmo na fria.

E pronto, simples. Consoante o tipo e comprimento dos vossos caracóis, poderão depois usar o cabelo como melhor entenderem. Eu como sofri um corte involuntário/inesperado muito muito curto há cerca de um ano atrás, e como devido às características do cabelo crespo, demora mais tempos a crescer (até porque cresce enrolado em si próprio), neste momento tenho o cabelo curto, já cresceu bastante mas ainda está pouco mais das orelhas, pelo que não consigo fazer muito dele a nível de penteados, normalmente uso ou solto normal, ou ponho um lenço a fazer de fita, não no cabelo todo para trás, prefiro deixar algumas madeixas soltas à frente, também consoante se está mais ou menos vento nesse dia. Pessoalmente acho que o cabelo encaracolado fica melhor comprido, porque o peso vai para baixo, não ganha tanto volume, e dá mais liberdade para fazer penteados.

E pronto, espero que este artigo vos tenha ajudado a compreender melhor o vosso cabelo, a gostar mais dele, e a fazer as opções mais correctas e convenientes para vocês, sempre considerando o que é melhor para a saúde do vosso cabelo, porque lembrem-se: só um cabelo cuidado e saudável vai parecer, e estar, verdadeiramente bonito.

Quaisquer dúvidas, conselhos, sugestões, questões ou comentários serão bem-vindos, e assim que puder, lerei e reagirei.

Espero que tenham gostado, e tenham um óptimo dia de caracóis :)

Rosa

:Fontes:

_ http://pt.wikipedia.org/wiki/Portugueses





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